O Rosto de Cristo Sacerdote (3): Consagrado para Deus

Guilherme Monico 7 de abril de 2017 1

Consagrar alguma coisa ou alguém significa dar tal coisa ou pessoa em propriedade a Deus, tirá-la do âmbito daquilo que é nosso e inseri-la na atmosfera Dele, de tal modo que deixe de pertencer às nossas coisas para ser totalmente de Deus. Desse modo, podemos dizer que o Ministério Sacerdotal é a consagração a Deus em continuidade do Único Sacerdócio que salva a humanidade inteira, o de Jesus Cristo: “Todo o sumo sacerdote, escolhido de entre os homens, é constituído a favor dos homens nas coisas que dizem respeito a Deus” (Hb 5,l).

Como sabemos, os Sacramentos do Batismo, da Crisma e da Ordem conferem, além da graça, um caráter sacramental ou “selo” pelo qual o cristão participa do sacerdócio de Cristo e faz parte da Igreja segundo estados e funções diversas: o Batismo imprime o caráter de cristão; a Crisma, o selo do Espírito Santo, revestindo o cristão da força do alto para ser testemunha do Evangelho; e a Ordem, a consagração para agir na pessoa de Cristo Cabeça, in persona Christi Capitis (Catecismo da Igreja Católica, 1548).

O sacerdote é, então, o ministro que o próprio Deus estabeleceu, como embaixador público de toda a Igreja junto Dele, para honrá-lo, e obter da sua bondade as graças necessárias a todos os fiéis: “Os presbíteros são, na Igreja e para a Igreja, uma representação sacramental de Jesus Cristo Cabeça e Pastor, proclamam a Sua palavra com autoridade, repetem os seus gestos de perdão e oferta de salvação, nomeadamente com o Batismo, a Penitência e a Eucaristia, exercitam a sua amável solicitude, até ao dom total de si mesmos, pelo rebanho que reúnem na unidade e conduzem ao Pai por meio de Cristo no Espírito. Numa palavra, os presbíteros existem e agem para o anúncio do Evangelho ao mundo e para a edificação da Igreja em nome e na pessoa de Cristo Cabeça e Pastor” (São João Paulo II. Pastores Dabo Vobis, 15).

Assim, a título de exemplo, as seguintes passagens aplicáveis a Cristo também são aplicáveis ontologicamente para aqueles que são ordenados: “o Espírito do Senhor está sobre mim; por isso me consagrou com a unção e me enviou a anunciar aos pobres a Boa Nova, a proclamar a liberdade aos prisioneiros, e a vista aos cegos; a pôr em liberdade os oprimidos e para pregar um ano de graça do Senhor” (Lc 4,18-19) e/ou “Tu és Sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedec” (Hb 5,6). É interessante notar, que este “sempre” não indica somente enquanto para a eternidade divina, mas também enquanto um pisar no chão cotidiano, já que o caráter sacramental da Ordem jamais pode ser visto pelo padre como se fosse uma capa, que ele pudesse tirá-la conforme suas atividades. Ou seja, tudo o que o sacerdote realiza (trabalhos, estudos, esportes, passeios…) ele o faz como padre. Infelizmente, percebemos por vezes, um errôneo pensamento teológico, que acaba por influenciar sacerdotes e seminaristas, de que o ofício do sacerdócio é realizado apenas quando são realizadas as funções do altar (não há dúvidas que esse é o ofício mais importante [cf. Catecismo da Igreja Católica, 1566], veremos no próximo artigo), criando uma tricotomia altar-pessoa-cotidiano: “e daqui deriva precisamente a insatisfação de alguns, que acabam por viver tristes, padres tristes, e transformados numa espécie de colecionadores de antiguidades ou então de novidades, em vez de serem pastores com o “cheiro das ovelhas” (…) É verdade que a chamada crise de identidade sacerdotal nos ameaça a todos e vem juntar-se a uma crise de civilização (…) Mas, é um bem que a própria realidade nos faça ir para onde, aquilo que somos por graça, apareça claramente e se revelem fecundas unicamente as redes lançadas no nome d’Aquele em quem pusemos a nossa confiança: Jesus” (Papa Francisco. Homilia Crismal de 28 de Março de 2013).

Padre Enéas de Camargo Bête

One Comment »

  1. Aparecida Gil Alaminho 10 de abril de 2017 at 11:41 - Reply

    Unidos em oração pelo nosso amado e querido Bispo Dom Vicente Costa , por nossos Presbíteros , Diáconos permanente e Seminaristas que se fazem presente na Diocese de Jundiaí .
    Em oração pelo nosso amado e querido Pároco da Paróquia Cristo Rei Pe. Enéas de Camargo Bête que com muita humildade , sabedoria , zelo e , temor a Deus , sabe conduzir as ovelhas a qual Deus confiou a ele . Deus abençoe nossos Sacerdotes .

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