Leia abaixo a sincera homenagem escrita por padre Lucas à coordenadora diocesana da Pastoral Catequética, Rosaura Garcia de Moraes, falecida no dia 7 de agosto. O texto também foi publicado, em versão reduzida, no jornal O VERBO, edição 345. 

para_voce_rosaura_diocese_jundiaiAinda sensibilizado com o súbito translado da querida amiga e irmã Rosaura Garcia de Moraes, e sabedor do quanto era ela avessa a qualquer tipo homenagem à sua pessoa - pois se julgava uma “serva inútil, que tinha feito apenas o que deveria fazer” (Lc 17,10) - não poderia deixar de expressar a gratidão, o apreço e a admiração por essa extraordinária companheira, com quem muito aprendi, nos longos anos de convivência, devido à nossa missão à frente da Pastoral Catequética da Diocese de Jundiaí.

Mulher de forte personalidade, o que mais impressionava era a paixão que nutria por Jesus Cristo e pela Igreja. Abrasada por este amor incondicional, incansavelmente militava pelo Reino. Quando se referia a ambos, em catequeses ou em conversas privadas, extravasava todo o seu sentimento, seu semblante se alterava, sua voz assumia outro tom, e ela era só entusiasmo!

Mulher de ação, como Marta (Lc 10,38-42), desdobrava-se para atender a todos os catequistas em suas solicitações. Sempre disposta, ocupava-se das responsabilidades mais elevadas do seu ministério, falar a bispos, representar a Diocese em encontros regionais ou nacionais, apresentar ao clero documentos da Igreja em relação à Catequese, escrever lindos artigos sobre o tema para “O VERBO”, estruturar, administrar e secretariar o “Centro Catequético Diocesano” e a “Escola Diaconal” bem como, com o mesmo empenho, realizava as tarefas mais humildes do seu ofício. Estava sempre entre as primeiras que chegavam e entre as últimas que deixavam os locais de reuniões. E não ficava apenas dando ordens, mas se dispunha a executar o que se fazia necessário. Não ia embora, enquanto não estava absolutamente segura de que deixara tudo em ordem: salões, sanitários, pátios, corredores...

Logo quando iniciamos a caminhada, preocupado por sairmos muito cedo de casa, em pleno um dia de Domingo, eu a questionei se estava correto ela renunciar ao convívio familiar para se colocar a serviço da Pastoral. Ao que ela prontamente respondeu, com seu jeito espontâneo e irreverente: “Fica calmo ‘chefinho’ (assim, carinhosamente me tratava). Não se preocupe! Hoje, me levantei mais cedo. Já deixei o almoço pronto, a casa arrumada, as roupas de sair passadas. Meu marido e meus filhos não têm de que reclamar. De mais a mais, antes de assumir a Pastoral eu lhes disse quais seriam minhas atribuições, e aceitaram e me apoiam. Está tudo em ordem!”

Rosaura era assim. Trabalhava muito, não se omitia nem protelava coisa alguma. Nem em casa, nem na Pastoral. No que dela dependesse, nada ficava pendente. Possuía uma agenda exigente, mas comparecia a todos os compromissos, na Diocese, nas Regiões Pastorais, na “Sub-Região Sorocaba”, no “Regional Sul 1”, nas “Semanas Brasileiras de Catequese”, ou em outras convocações da CNBB. Ia a tudo, não passivamente, mas por amor e com responsabilidade. Estudava o tema proposto com antecedência, expressava a sua opinião, questionava, argumentava. Enfim, “fazia a diferença”. Todos os dias, ao final do expediente, sua mesa ficava sempre limpa. Não deixava um telefonema sem retorno, nenhum e-mail sem resposta, nenhuma pessoa a ser atendida. Deixava “tudo em ordem”. Por isso, nem no ataúde, seus braços se cruzaram! Creio, sinceramente, que ela, sempre atenta, não foi surpreendida, por Aquele “que vem como um ladrão” (Mt 24,42-44).

Mulher também de reflexão, como Maria (Lc 10,38-42), aplicava-se à escuta do Divino Mestre. Apegada às Escrituras, a elas dedicava horas de estudo e de Lectio Divina (ou “Leitura Orante”). Empenhava-se, com igual esmero, em refletir sobre os documentos eclesiais, sobretudo, os referentes à Catequese, a ponto de recitar, de memória, os seus trechos ou números mais importantes. Fidelíssima às orientações do Magistério, nada a irritava mais do que “improvisações”, “criatividades” ou “modismos” quer na Doutrina, quer na Liturgia ou na Pastoral. Dizia: “O Magistério é tão claro, não precisa ficar inventando moda. É só seguir o caminho indicado pela Tradição da Igreja”. E neste aspecto era intransigente. Não admitia “meios-termos”, não fazia concessões. Sempre franca, direta e coerente, jamais “fazia média” com quem quer que fosse. Nunca usava “dois pesos e duas medidas”. Não se deixava abater ou intimidar. Possuía liberdade de espírito para ser quem era. Sem máscaras, sem medo e sem constrangimentos.

Mulher de fé e inteligência, não era ornada apenas com virtudes semelhantes às das irmãs de Lázaro (ação e contemplação). Constatava-se nela também, características próprias das grandes matriarcas da Bíblia: a disposição de Sara, o bom senso de Rebeca, a determinação de Raquel, a valentia de Débora, a perspicácia de Ester, a coragem de Judite, a confiança de Ana, a lealdade de Rute, a fortaleza de Susana...

Entretanto, era também “uma filha de Adão”, mas sabia reconhecer suas limitações e debilidades. Era cônscia de que, não raras vezes, fora demasiado dura, impaciente, intolerante. Penitenciava-se. Contudo, não ficava paralisada. Muito prática, procurava se corrigir e seguia em frente. De cabeça erguida. Sempre alegre. O Senhor e a vida também se encarregaram de purificá-la, por meio de provações e sofrimentos, tanto em sua vida pessoal, quanto eclesial. E ela humildemente aceitou “as podas de Deus” em sua história, na esperança de “produzir mais fruto ainda” (Jo 15,2).

Para ela, a Catequese era “como que uma obra de saneamento básico, fica oculta sob a terra, mas é imprescindível para o funcionamento da cidade”. Por isso, não alardeava a sua atividade. Não se autopromovia. Poucos ficavam sabendo o quanto realizava. Entretanto, o tempo se encarregará de demonstrar o valor, a envergadura, o magnetismo e a dedicação desta mulher de Deus. E na história da Diocese de Jundiaí, certamente, Rosaura deixará uma marca indelével.

 

Padre José Raimundo Lucas Prazer

Comentários 

 
0 #9 Fernanda Sterzinger 29-08-2011 10:59
Desculpem meu abuso em responder depois de palavras tão lindas das quais já foram ditas, mas sou uma sobrinha da Tia Rosaura e a conheci de uma forma diferente da Diocese de vcs, mas podem ter certeza qua esse amor ela também passava para toda sua família....Mas uma coisa nos conforta muito, é em saber que agora ela está di lado da pessoa de que ela mais pregava e acreditava de todo seu coração....Deus....E tenham certeza de uma coisa, a missão dela foi cumprida, através das lições de que ela deixou, da família linda que ela tanto educou com todo seu amor, seu marido que amamos de montão e o restante de sua família que nunca irá esquecer de sua alegria e vontade de viver e dançar como nunca se viu....Ela sempre será uma pessoa iluminada...Obrigada por abrirem este espaço para agradecer e algu´m tão especial...
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0 #8 Suzana Prado 29-08-2011 10:13
Sinto muito não estar perto dessa familia ,em principal de minha cumadre Monica e meu gatinho Murillo... Tia Deus te chamou muito cedo, mas suas ações aqui na terra jamais serão esquecidas em principal sua garra e força de vontade .. que deus nos de metade de sua força ..que ja será suficiente para continuarmos a batalha .. qtas lembranças, e conselhos que para sempre estarão em nossas vidas ..obrigada por tudo Rosaura ...
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0 #7 Mônica Garcia Moraes 28-08-2011 23:27
Muito obrigada Pe Lucas, pelo carinho e amor dedicado a minha mãe! E pelo lindo texto, tão emocionante e verdadeiro! Ela também o admira, respeita e ama!
E a todos os amigos que aqui demonstram seu afeto e pelas orações!
Com amor, família Garcia de Moraes
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0 #6 Mônica Garcia Moraes 28-08-2011 22:35
Agradeço imensamente ao Pe. Lucas pelo carinho e tão grande amor dedicado a minha mãe e também a nossa família, por se fazer surpreendenteme nte presente fisicamente no nosso momento mais doloroso e por esse lindo texto tão emocionante e verdadeiro! Saiba que ela também o admira, respeita e ama!
Aproveito para agradecer a todos os amigos pelo afeto aqui demonstrados e pelas orações!
Muito obrigada!!!
Com amor, família Garcia de Moraes
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0 #5 Meire e Reinaldo 21-08-2011 18:19
Uma líder, até com a sua morte aprendemos!

Que Deus o abençoe, Padre LUCAS, por nos deixar este retrato completo da ROSAURA. As experiências vividas por ela, tão bem relatadas por um amigo tão íntimo, são um tesouro para a nossa caminhada.

um abraço,

Meire e Reinaldo Plancowski
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0 #4 Suely Cerqueira 16-08-2011 22:19
Pra nós Catequistas, a Rosaura foi e será sempre exemplo de Fé e coragem.
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+1 #3 Regina Biase 16-08-2011 16:41
Nossa lindo artigo sobre "nossa"Rosaura.Parabéns,disse tudo!
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+1 #2 Leonice Bonfim 16-08-2011 14:35
Sábias palavras para descrever nossa querida Rosaura!..
Que agora,junto ao Pai ela possa interceder por nós e por todos os catequistas de nossa Diocese...
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0 #1 sidnei ricardo 16-08-2011 14:11
Deus a acompanhe irmã em Cristo...
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