Bernard Nathanson, o célebre médico que se converteu em um incansável líder pró-vida após realizar 75 mil abortos, faleceu na última segunda-feira, 21 de fevereiro, em Nova Iorque, vítima de câncer.
Nathanson, de 84 anos de idade, foi um dos mais ativos promotores da legalização do aborto nos Estados Unidos e um dos fundadores da Liga de Ação Nacional pelo Direito ao Aborto em 1969 e praticava tantos abortos por dia que seus colegas o batizaram como "o rei do aborto".
No final da década de 70 graças ao uso da ultra-sonografia se convenceu de que o aborto era o assassinato de um ser humano e começou seu caminho de conversão.
Nathanson, que admitiu ter feito o aborto de um filho seu, atravessou um longo e intenso caminho espiritual no qual deixou de considerar-se um "judeu ateu" para abraçar a fé católica.
O médico escreveu, em sua autobiografia, que o desenvolvimento da tecnologia de ultrassom, que lhe permitiu ver imagens de crianças por nascer, influenciou a sua mudança de mentalidade. Ele logo se tornou um veemente ativista pró-vida, famoso por sua afirmação de que o aborto é "o holocausto mais atroz da história dos Estados Unidos".
Fez dois documentários muito influentes sobre o aborto: "O Grito Silencioso" (1984) e "O eclipse da razão" (1987). Escreveu "Aborting America", em 1979, ano em que praticou seu último aborto, e publicou sua autobiografia em 1996, intitulada "A mão de Deus: uma viagem da morte à vida, pelo Dr. Aborto, que mudou de opinião".
Nathanson se descreveu como um judeu ateu que se converteu ao catolicismo em 1996, com a ajuda do padre John McCloskey, do Opus Dei. Foi batizado nesse ano pelo cardeal John O'Connor, na catedral de St. Patrick, em Nova York, na festa da Imaculada Conceição.
"Durante dez anos, passei por um período de transição. Senti que o peso de meus abortos se fazia mais oneroso e persistente, pois despertava cada dia às quatro ou cinco da manhã, olhando à escuridão e esperando (mas sem rezar ainda) que se acendesse uma mensagem declarando-me inocente diante de um jurado invisível", afirmou Nathanson em uma entrevista.
Sua amizade com o sacerdote católico, o padre John C. McCloskey, permitiu-lhe descobrir que permanecer no agnosticismo, conduzia-o ao abismo e encontrou na fé católica o consolo que procurou por tanto tempo.
Nathanson, ao morrer, deixa sua esposa, Christine, e seu filho.
Fonte: zenit.org/ acidigital.com








