A Santa Sé emitiu hoje um comunicado com críticas à ordenação considerada “ilegítima” na China de um novo Bispo, por parte da Associação Patriótica Católica (APC) local, subordinada a Pequim e não reconhecida pelo Papa. A ordenação episcopal do padre Paulo Lei Shiyin aconteceu no dia 29 de junho, na Diocese de Leshan, Sichuan, cerca de 2000 quilômetros a sudeste de Pequim, na China.

“Uma ordenação ilegítima que cria divisão e tensões no interior da Igreja e que causa amargura ao Papa”. A ordenação de Leshan foi um ato unilateral, que semeia divisão e, infelizmente, produz lacerações e tensões na comunidade católica da china”, diz o comunicado.

Segundo a Santa Sé, o Papa “deseja fazer chegar aos amados fiéis da China uma palavra de encorajamento e de esperança, convidando-os a rezar para estarem unidos”.

A Associação Patriótica Católica foi criada em 1957 para evitar “interferências estrangeiras”, em especial da Santa Sé, e para assegurar que os católicos vivam em conformidade com as políticas do Estado, deixando assim na clandestinidade os fiéis que reconhecem a autoridade do Papa.

O comunicado do Vaticano sublinha que o Bispo ordenado por esta associação “carece da autoridade de governar a comunidade católica diocesana” de Leshan e, por isso, “a Santa Sé não o reconhece como bispo”.

Nesta declaração assinala-se que o próprio padre Shiyin foi “informado há muito tempo que não poderia ser aceite pela Santa Sé como candidato episcopal”, incorrendo agora na pena canônica de excomunhão.

“Uma ordenação episcopal sem mandato pontifício opõe-se diretamente ao papel espiritual” do Papa, prossegue o documento, “danificando a unidade da Igreja”.

Numa crítica à APC e à política do regime chinês, o Vaticano refere que “se a Igreja na China quiser ser católica, é preciso respeitar a doutrina e a disciplina da Igreja”.