A Páscoa do Senhor no ano jubilar da Diocese

Guilherme Monico 30 de abril de 2017 0

“Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.
Em sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, ele nos fez nascer de novo para uma esperança viva” (1Pd 1,3).

Prezados irmãos da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí:

As palavras do Apóstolo Pedro (1Pd 1,3) eram dirigidas aos primeiros cristãos dominados pelo medo e desânimo diante das perseguições e grandes desafios que enfrentavam. Eram palavras novas, cheias de esperança e nunca pronunciadas antes: como cristãos nascemos de novo para uma esperança viva. A todas as gerações passadas, presentes e futuras da humanidade, ameaçadas pelo paradoxo da morte, pela longa e vã promessa do verdadeiro sentido da vida, machucadas pela fragilidade da nossa existência, de repente, uma nova luz de alegria, de esperança e de otimismo surge diante delas: o Filho de Deus feito homem venceu a vida sobre a morte; ele, o novo Adão, derrotou o tentador e o pecado. É isto que o mesmo Apóstolo atesta, quando diz: “Isso é motivo de alegria para vós, embora seja necessário que no momento estejais por algum tempo aflitos, por causa de várias provações. Sem terdes visto o Senhor, vós o amais. Sem que agora o estejais vendo, credes nele. Isto será para vós fonte de alegria inefável e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação” (1Pd 1,6.8-9).

Realmente, embora não tenhamos visto ainda Jesus Ressuscitado, nós o amamos e cremos firmemente que ele é o Vivente, o Salvador e Redentor das nossas vidas. Portanto, a Páscoa não é um acontecimento que diz respeito apenas à vida passada de Jesus, mas uma realidade que se perpetua e se atualiza dia após dia, no decorrer dos séculos, na vida dos que creem.

A ressurreição de Jesus Cristo “nos fez nascer de novo para uma esperança viva” (1Pd 1,3). Mas é possível fazer reviver entre nós, hoje, o mesmo sentimento de “esperança viva”? Tornar a Páscoa do Senhor sinal e fundamento da esperança e certeza de vida nova para a Igreja e para o mundo?

Queridos irmãos diocesanos: é importante lembrar que a festa da Páscoa surgiu no povo judeu e já evocava sentimentos de alegria, profunda gratidão a Deus e esperança de vida nova. Esta festa remonta à ceia pascal que os judeus, escravizados durante longos anos na terra da escravidão, na terra do Egito, celebravam, e ainda celebram, à noite, em cada casa para marcar o começo de um novo e aguardado acontecimento: a saída da terra dos males e a passagem para a Terra Prometida (cf. Ex 12,1-14). A festa da Páscoa, isto é, da Passagem, acendia no coração dos libertos uma forte e inabalável esperança, pois lembrava que o Senhor “passou ao lado das casas dos israelitas no Egito, quando feriu os egípcios e salvou as nossas casas” (Ex 12,27).

Os Evangelhos contam que Jesus, antes de morrer e oferecer sua vida em sacrifício pela humanidade, pôs-se à mesa com seus discípulos, para celebrar a Páscoa, a festa dos judeus: “Ardentemente desejei comer convosco esta ceia pascal, antes de padecer” (Lc 22,15). Durante esta ceia pascal, Jesus fez algo de extraordinário e inimaginável: torna-se realmente presente no pão e no vinho, ele que entregaria a nós o seu corpo e o seu sangue a ser derramado para o perdão dos nossos pecados no alto da cruz do Calvário. Esta é a nova Páscoa, a Nova e Eterna Aliança, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. “Eis o mistério da fé” que anunciamos, vivemos e testemunhamos: a morte e a ressurreição do Senhor Jesus, cuja volta aguardamos com firme esperança no fim dos tempos. Esta é a Páscoa do Senhor, a passagem que o Jesus Crucificado, Morto e Sepultado realiza ao terceiro dia, para cumprir as promessas da Sagrada Escritura: “Por que procurais entre os mortos aquele que está vivo? Não está aqui. Ressuscitou!” (Lc 24,5b-6a). Eis a maior notícia a ser comunicada a todas as gerações: Cristo ressuscitou! A morte não o venceu! Apareceu a Simão, a Maria Madalena, aos discípulos! Viram-no, ele mesmo, com os sinais da paixão e da morte (cf. Jo 20,27). Deus não nos decepcionou!

Por isso, se Jesus Cristo ressuscitou, nós também ressuscitaremos (cf. 1Cor 15,12-19). E é importante ressaltar que não se trata apenas de uma ressurreição que acontecerá num dia muito longínquo, com cada um de nós, mas que não muda em nada nossa vida atual. A partir do Batismo, a Páscoa do Senhor tem que ser vivida a cada dia, a cada momento da nossa vida quando, com a graça de Deus e o nosso esforço, decidimos morrer para o pecado e a maldade, para passar para uma vida nova de mais fé, esperança, caridade, perdão e solidariedade. Por isso, não desanimemos! Não sepultemos o Cristo Vivo em nossa vida! Não tenhamos medo de enfrentar, com firmeza e coragem, os desafios e as dificuldades da nossa caminhada. Confiando na força da Ressurreição de Jesus, podemos dizer com São Paulo: “Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia; postos em apuros, mas não desesperançados; perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados” (2Cor 4,8-9).

Citando Is 26,19; 60,1, São Paulo diz: “Desperta, tu que estás dormindo, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará” (Ef 5,14). Queridos irmãos diocesanos, como Pastor  desta porção do povo de Deus, digo-lhes: “Querida e amada Igreja de Jundiaí, Igreja Jubilar! Igreja que, às vezes, cede à tentação do desânimo pelo cansaço e desalento, da desilusão por causa das nossas fragilidades e infidelidades, do enfraquecimento por causa da falta de autênticos discípulos missionários do Senhor Jesus, da falta de compromisso de tornar-se verdadeiramente em estado permanente de missão: levanta-te e que a luz da Páscoa te ilumine! Volta a viver a alegria da presença do Ressuscitado em teu meio e torna-te sinal da esperança, o dom mais lindo que o cristão pode oferecer ao mundo sem esperança, sem expectativas verdadeiras, sem o amanhã. Sê Igreja alegre, a melhor companheira nesta obra de testemunho da esperança, pois o Senhor Vivo está no meio de ti!”. Assim seja!

Para o dia da Páscoa, o Papa Francisco propôs uma saudação que já é usada nas Igrejas Católicas Orientais e nas Ortodoxas. Nos ritos dessas Igrejas é comum que, neste dia, os fiéis se felicitem desta maneira. Eles se saúdam dizendo: “Cristo ressuscitou! Aleluia!”, e o outro responde: “Verdadeiramente ressuscitou! Aleluia!” (Audiência Geral: 05/04/2017).

A todos abençoo e desejo-lhes uma Feliz e Santa Páscoa.

Dom Vicente Costa
Bispo Diocesano

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